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Juan Manuel Santos

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Juan Manuel Santos
Santos em 2010
Presidente da Colômbia
Período7 de agosto de 2010 a 7 de agosto de 2018
Vice-presidenteAngelino Garzón, 2010–2014
Germán Vargas Lleras, 2014–2017
Óscar Naranjo, 2017–2018
Antecessor(a)Álvaro Uribe
Sucessor(a)Iván Duque
Presidente do Partido Social de Unidade Nacional
Período2010
Antecessor(a)Ricardo Arias Mora
Sucessor(a)Juan Lozano Ramírez
Ministro da Defesa Nacional da Colômbia
Período19 de julho de 2006 a maio de 2009
PresidenteÁlvaro Uribe
Antecessor(a)Camilo Ospina Bernal
Sucessor(a)Freddy Padilla de León, interino
Ministro da Fazenda e do Crédito Público da Colômbia
Período7 de agosto de 2000 a 7 de agosto de 2002
PresidenteAndrés Pastrana
Antecessor(a)Juan Camilo Restrepo Salazar
Sucessor(a)Roberto Junguito Bonnet
Ministro do Comércio Exterior da Colômbia
Período18 de novembro de 1991 a 7 de agosto de 1994
PresidenteCésar Gaviria
Antecessor(a)Cargo criado
Sucessor(a)Daniel Mazuera Gómez
Designado presidencial da Colômbia
Período11 de agosto de 1993 a 7 de agosto de 1994
PresidenteCésar Gaviria
Antecessor(a)Humberto de la Calle
Sucessor(a)Cargo extinto
Presidente pro tempore da Aliança do Pacífico
Período23 de maio de 2013 a 20 de junho de 2014
Antecessor(a)Sebastián Piñera
Sucessor(a)Enrique Peña Nieto
Presidente pro tempore da Aliança do Pacífico
Período30 de junho de 2017 a 24 de julho de 2018
Antecessor(a)Michelle Bachelet
Sucessor(a)Martín Vizcarra
Dados pessoais
Nome completoJuan Manuel Santos Calderón
Nascimento10 de agosto de 1951 (75 anos)
Bogotá, Colômbia
NacionalidadeColombiano
ProgenitoresMãe: Clemencia Calderón Nieto
Pai: Enrique Santos Castillo
Alma materUniversidade do Kansas
London School of Economics
Universidade Harvard
Prêmio(s)Nobel da Paz, 2016
CônjugeSilvia Amaya Londoño, divorciados
María Clemencia Rodríguez, desde 1987
Filhos(as)Martín, María Antonia e Esteban
PartidoPartido Liberal Colombiano, até 2005
Partido Social de Unidade Nacional, a partir de 2005
ReligiãoCatolicismo
ProfissãoEconomista e jornalista[1]
AssinaturaAssinatura de Juan Manuel Santos
Serviço militar
LealdadeColômbia
Serviço/ramoArmada Nacional da Colômbia
Anos de serviçoIngresso em 1967
PatenteCadete naval

Juan Manuel Santos Calderón (Bogotá, 10 de agosto de 1951) é um político e economista colombiano que foi presidente do país de 2010 a 2018 e recebeu o Nobel da Paz de 2016 por seus esforços nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC.[2][3][4]

Antes de chegar à Presidência, trabalhou no jornal El Tiempo, do qual sua família foi acionista majoritária, e ocupou os ministérios do Comércio Exterior, da Fazenda e da Defesa. Cofundador do Partido Social de Unidade Nacional, apoiou a reeleição de Álvaro Uribe e dirigiu a política de defesa de seu segundo governo. As operações contra as FARC e o escândalo dos falsos positivos, no qual militares mataram civis e os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate, fizeram parte de sua gestão no ministério.[5][6][7]

Eleito em 2010 com o apoio de Uribe, Santos entrou em conflito com o antecessor ao adotar as negociações como caminho para encerrar a guerra com as FARC. Foi reeleito em 2014, após uma disputa com Óscar Iván Zuluaga, apoiado por Uribe, e assinou um acordo de paz em 2016. A primeira versão foi rejeitada em plebiscito, e um texto revisto foi aprovado pelo Congresso em novembro daquele ano.[8][9][10][11][12][13]

Formação e início da carreira

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Nascido em uma família de proprietários de jornais, Santos estudou no Colégio San Carlos, uma escola particular de Bogotá, até 1967. Ingressou na Armada Nacional da Colômbia e terminou os estudos escolares na Escola Naval de Cadetes Almirante Padilla, em Cartagena das Índias, onde se formou em 1969. Foi cadete da turma NA 42.[14][15][16]

Nos Estados Unidos, cursou economia e administração de empresas na Universidade do Kansas, onde participou da fraternidade Delta Upsilon e se graduou em 1973. A universidade também lhe concedeu um doutorado honorário em letras humanas.[17][18][19][20]

Depois da graduação, foi representante da Federação Nacional de Cafeteiros da Colômbia na Organização Internacional do Café, em Londres, e trabalhou como conselheiro financeiro da federação. Estudou na London School of Economics, onde concluiu o mestrado em desenvolvimento econômico em 1975, e na John F. Kennedy School of Government, da Universidade Harvard, onde obteve o mestrado em administração pública em 1981.[21][22][23]

Ao voltar à Colômbia, em 1981, assumiu a vice-direção do El Tiempo, jornal de sua família. Foi bolsista do Programa Fulbright na Escola Fletcher de Direito e Diplomacia, da Universidade Tufts, em 1981, e da Fundação Nieman, em Harvard, em 1988. Recebeu também um doutorado honorário em direito. Presidiu a Comissão de Liberdade de Expressão da Sociedade Interamericana de Imprensa e ingressou no Diálogo Interamericano em 1990, tendo ocupado a copresidência de seu conselho diretor.[24][25][26]

Carreira política

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Ministérios do Comércio Exterior e da Fazenda

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No governo de César Gaviria, Santos assumiu o recém-criado Ministério do Comércio Exterior em 1991 e permaneceu no cargo até 1994. Trabalhou na abertura comercial do país e, entre 1993 e 1994, foi designado presidencial, função de substituição do chefe do Executivo que foi extinta após seu mandato. Em 1992, presidiu a oitava Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.[27][28]

Santos criou a Fundação Bom Governo em 1994, com a proposta de melhorar a gestão e a eficiência do Estado colombiano. A entidade apresentou um plano para estabelecer uma zona desmilitarizada e abrir negociações com as FARC. Entre 2000 e 2002, durante a Presidência de Andrés Pastrana, dirigiu o Ministério da Fazenda e do Crédito Público.[29][30][31][32][33][34][5]

Ministério da Defesa

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Santos com o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, no Pentágono, em 2008.

Cofundador do Partido Social de Unidade Nacional em 2005, Santos reuniu apoiadores de Álvaro Uribe em uma organização de orientação liberal-conservadora e apoiou sua política de segurança e sua reeleição. Após a vitória de Uribe nas eleições de 2006 e a eleição da bancada do partido no Congresso, tomou posse como ministro da Defesa em 19 de julho de 2006.[6][35][nota 1]

Durante sua gestão, as forças colombianas resgataram Fernando Araújo Perdomo e mataram Raúl Reyes, integrante do comando das FARC, em uma operação em território do Equador que provocou uma crise diplomática. Em outra operação, libertaram a ex-candidata presidencial Íngrid Betancourt, sequestrada desde 2002, e outros catorze reféns, entre eles três norte-americanos, sem troca de tiros.[37][38][39]

Em 2008, vieram a público as execuções de civis que militares apresentavam como guerrilheiros mortos em combate para aumentar os resultados das operações e obter recompensas, episódio chamado de "falsos positivos". Santos reconheceu a existência das execuções extrajudiciais em 4 de novembro e se comprometeu a enfrentá-las. Uma investigação interna apontou falhas administrativas e irregularidades nos relatos de baixas e resultados operacionais, e 27 oficiais foram afastados, entre eles três generais e onze coronéis. O comandante do Exército Nacional da Colômbia, Mario Montoya, renunciou.[7][40][41][42]

Até maio de 2009, 67 militares haviam sido condenados e mais de quatrocentos estavam presos à espera de julgamento. A Procuradoria investigava mais de novecentos casos que envolviam cerca de 1.500 vítimas e 1.177 integrantes das forças de segurança.[43][44] A coalizão de organizações Coordinación Colombia-Europa-Estados Unidos e a Fundación para la Educación y el Desarrollo estimaram 3.756 execuções entre 1994 e 2009, das quais 3.084 teriam ocorrido depois de 2002.[45][46] Em junho de 2015, o total estimado era de pelo menos 4.300 civis mortos.[47][nota 2]

Familiares das vítimas e organizações de direitos humanos responsabilizaram o governo Uribe e Santos, na condição de ministro da Defesa, por políticas de recompensa que, a seu ver, estimularam os crimes. As críticas alcançaram a Diretriz 029 de 2005, editada na gestão do ministro Camilo Ospina Bernal, e o Decreto 1400, de maio de 2006, que previam incentivos e benefícios pela captura ou morte de integrantes de grupos armados ilegais.[45][46][44]

Após visitar a Colômbia em junho de 2009, o relator especial das Nações Unidas para execuções extrajudiciais, Philip Alston, afirmou que os assassinatos haviam sido cometidos de maneira "mais ou menos sistemática" por militares e criticou a falta de processos contra os envolvidos. Disse não ter encontrado provas de que as execuções fossem uma política oficial do governo e reconheceu a queda nas denúncias.[49] Em 2010, as Nações Unidas estimavam que 98,5% dos casos de execução extrajudicial no país permaneciam impunes.[50][47]

Em março de 2010, Santos afirmou que as execuções haviam cessado em outubro de 2008 e que o Centro de Investigação e Educação Popular, o CINEP, confirmava essa conclusão. O centro contestou a declaração, reconhecendo a queda nas denúncias após as medidas do ministério, mas apontando sete execuções e duas detenções arbitrárias entre novembro de 2008 e dezembro de 2009.[51]

Ao anunciar sua saída do ministério em 18 de maio de 2009, Santos disse que a decisão não significava uma candidatura presidencial e que apoiaria Uribe caso ele pudesse disputar um terceiro mandato. Depois que a Corte Constitucional impediu uma nova candidatura de Uribe, Santos entrou na disputa de 2010.[36][52]

Eleições presidenciais

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Eleição de 2010

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No primeiro turno da eleição presidencial de 2010, em 30 de maio, Santos recebeu 46,67% dos votos e passou ao segundo turno com Antanas Mockus, que obteve 21,51%. Foi eleito em 20 de junho com 69,13%, pouco mais de nove milhões de votos, tendo o apoio de Uribe.[53][8][9][54] No Partido Social de Unidade Nacional, ocupou a presidência em 2010, antes de assumir a Presidência da República.

Eleição de 2014

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Santos em 2016.

Em pronunciamento de 20 de novembro de 2013, Santos anunciou que pretendia disputar a reeleição e, cinco dias depois, apresentou a declaração à autoridade eleitoral. Recebeu a indicação do Partido Social de Unidade Nacional em 28 de janeiro de 2014, com 772 dos 787 votos dos delegados, e o apoio do Partido Liberal e do Mudança Radical, que formaram a Coalizão Unidade Nacional.[55][56][57][58][59][60]

Santos escolheu Germán Vargas Lleras, seu ex-ministro da Habitação, Cidade e Território, como candidato a vice-presidente em 24 de fevereiro. A substituição de Angelino Garzón acompanhou a decisão do vice-presidente de se retirar da política. A campanha foi lançada em 12 de março com o lema "Fizemos muito, falta muito por fazer".[61]

No primeiro turno de 25 de maio de 2014, Santos obteve 25,69% dos votos e ficou atrás de Óscar Iván Zuluaga, candidato do Centro Democrático, que recebeu 29,25%. Como nenhum candidato alcançou a maioria necessária, os dois disputaram o segundo turno. Santos recebeu o apoio de Clara López, candidata do Polo Democrático Alternativo, e de dissidentes dos partidos Conservador e Verde.[62][63]

Reeleito em 15 de junho, com cerca de 7,8 milhões de votos e 50,95% dos votos, Santos venceu uma disputa mais apertada que a de 2010.[64][65][54] Ao defender o voto em Santos, López afirmou que pretendia manter as negociações de paz.[66]

Financiamento pela Odebrecht

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Em 14 de março de 2017, Santos pediu desculpas após a confirmação de que a campanha de 2010 havia recebido financiamento irregular da empresa brasileira Odebrecht. O tesoureiro Roberto Prieto admitiu que a empreiteira pagara material de propaganda. Santos negou que tivesse autorizado os pagamentos ou soubesse deles e pediu a apuração dos responsáveis. No dia seguinte, solicitou que o Conselho Nacional Eleitoral tornasse públicas as contas da campanha.[67][68]

Paradise Papers

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Santos foi diretor de duas empresas de Barbados cujos dados foram divulgados na investigação dos Paradise Papers, em novembro de 2017. Ele afirmou que deixara o conselho de uma delas antes de assumir um cargo ministerial.[69][70][71]

Presidência, 2010–2018

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Santos e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, em 9 de junho de 2010.

Santos tomou posse em 7 de agosto de 2010, durante a crise diplomática com a Venezuela. Os dois países restabeleceram as relações pouco depois.[72] Com a aproximação de seu governo às negociações com as FARC, Uribe passou a fazer oposição a Santos e criou o Centro Democrático em 2013. A ruptura entre os dois alcançou as eleições de 2014 e a disputa sobre o acordo de paz.[10][11][73][74]

Durante seu segundo mandato, o Congresso aboliu, em 2015, a reeleição presidencial consecutiva, permitida pela reforma de 2005 que havia possibilitado a Uribe disputar novamente a Presidência. Santos foi o segundo e último presidente eleito consecutivamente por esse mecanismo.[75]

À frente da Aliança do Pacífico, Santos ocupou a presidência pro tempore entre 23 de maio de 2013 e 20 de junho de 2014, sucedendo Sebastián Piñera e passando o cargo a Enrique Peña Nieto. Voltou à função de 30 de junho de 2017 a 24 de julho de 2018, depois de Michelle Bachelet e antes de Martín Vizcarra.

Santos encerrou o mandato em 2018 com 22% de aprovação em uma pesquisa.[76][77] Seu sucessor, Iván Duque, eleito com o apoio de Uribe, defendia mudanças no acordo com as FARC, embora afirmasse que não pretendia destruí-lo.[78]

Negociações com as FARC

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Em 27 de agosto de 2012, Santos anunciou que o governo realizava conversas exploratórias com as FARC para buscar o fim do conflito. Afirmou que aprenderia com as negociações frustradas de governos anteriores e que as operações militares prosseguiriam durante o diálogo.[79][80] Uma fonte de inteligência colombiana não nomeada afirmou que Santos havia oferecido garantias de que os integrantes da guerrilha não seriam extraditados. Uribe criticou a iniciativa como uma busca de paz "a qualquer custo".[81][82]

Ao receber o Prêmio Shalom, do Congresso Judaico Latino-Americano, em outubro de 2012, Santos defendeu a busca de paz na Colômbia e em Israel e declarou apoio à solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino.[83][84]

Em setembro de 2016, o governo e as FARC chegaram a um acordo que previa o reconhecimento dos crimes e medidas de reparação e serviço à comunidade, dentro de um sistema de justiça de transição. Os responsáveis que admitissem integralmente os crimes poderiam receber sanções diferentes das penas de prisão ordinárias.[85] O primeiro acordo foi rejeitado no plebiscito de 2 de outubro, no qual a campanha pelo "não", apoiada por Uribe, venceu por pequena margem. Cinco dias depois, Santos recebeu o anúncio do Nobel da Paz por seus esforços nas negociações.[3][4]

O governo e as FARC assinaram um texto revisto em 24 de novembro e o encaminharam ao Congresso, sem realizar outro plebiscito. As duas casas o aprovaram em 29 e 30 de novembro de 2016.[12][13] Os opositores do acordo contestaram sua legitimidade após a rejeição nas urnas.[13]

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz, o Indepaz, estimou o custo de 52 anos de guerra em 152 bilhões de dólares. Em 2017, o gasto diário estimado nos cinco anos anteriores era de 9,3 milhões de dólares, quantia que a organização comparou aos recursos necessários para alimentar três milhões de pessoas e eliminar a pobreza extrema no país.[86]

Relações com o governo Trump

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Em uma entrevista coletiva conjunta na Casa Branca, em maio de 2017, Donald Trump elogiou as negociações para encerrar o conflito colombiano, que havia causado mais de 220 mil mortes. Trump disse que acompanhá-las era "uma grande coisa".[87][88]

Trump se reuniu com os ex-presidentes Uribe e Pastrana em Mar-a-Lago, na Flórida, em 2017. O encontro recebeu cobertura na imprensa colombiana, mas não foi anunciado pela Casa Branca.[89]

Em setembro de 2017, Santos defendeu os resultados colombianos no combate ao narcotráfico diante das críticas de Trump ao aumento do cultivo de coca e da produção de cocaína. Trump considerava retirar do país a certificação de parceiro na luta contra as drogas, o que poderia reduzir a ajuda para segurança e desenvolvimento. Os dois governos divergiam sobre o uso do glifosato, suspenso pela Colômbia devido aos riscos à saúde.[90][91]

Em resposta, o governo colombiano afirmou que o país enfrentava o narcotráfico havia mais de trinta anos, com um custo elevado de vidas, por convicção própria e sem necessidade de ameaças externas. Defendeu que produção, consumo e tráfico ameaçavam a segurança da população e declarou que a Colômbia era o país que mais combatera as drogas e obtivera os melhores resultados nesse combate. Também cobrou cooperação e responsabilidade compartilhada dos países consumidores, aos quais atribuiu o dever de reduzir a demanda e combater as redes de tráfico e distribuição em seus territórios.[92]

Em julho de 2018, Santos pediu a Trump que pressionasse Vladimir Putin a encerrar o apoio russo ao governo venezuelano.[93] Santos afirmou que, em 2017, Trump havia levantado a possibilidade de uma invasão militar para afastar Nicolás Maduro, proposta que ele e outros líderes latino-americanos rejeitaram.[94]

Outras posições

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Em uma conversa transmitida pelo El Tiempo em 20 de maio de 2014, Santos declarou apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à garantia dos mesmos direitos e benefícios às uniões homossexuais.[95]

Após a Presidência

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Ao terminar seu segundo mandato, em agosto de 2018, Santos foi escolhido como o quarto participante do programa Angelopoulos Global Public Leaders, da Harvard Kennedy School. Permaneceu na instituição até o semestre da primavera boreal seguinte.[96]

Vida pessoal

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Filho de Enrique Santos Castillo e Clemencia Calderón Nieto, Santos[nota 3] tem três irmãos, Enrique, Luis Fernando e Felipe.[97][98] A família foi acionista majoritária do El Tiempo de 1913 a 2007, quando o controle passou ao grupo espanhol Planeta. Seu pai trabalhou como editor e chefe de redação do jornal por mais de cinquenta anos, e seu irmão Enrique Santos Calderón dirigiu o periódico durante dez anos, até a venda.[99][100]

Seu tio-avô Eduardo Santos Montejo presidiu a Colômbia entre 1938 e 1942 e foi proprietário do El Tiempo. O irmão de Eduardo e avô de Juan Manuel, Enrique Santos Montejo, foi editor-chefe do jornal e assinava como "Calibán". Na geração seguinte, Enrique Santos Castillo, Hernando Santos Castillo e Enrique Santos Molano trabalharam, respectivamente, como editor, diretor e colunista.[100] Antonia Santos, participante da independência colombiana, era tia de seu bisavô Francisco Santos Galvis.[101] Juan Manuel e Francisco Santos Calderón, vice-presidente de 2002 a 2010, são primos pelos lados paterno e materno, pois Hernando, irmão de seu pai, casou-se com Elena, irmã de sua mãe.[102] Outro primo, Alberto Calderón Palau, é pai da piloto Tatiana Calderón.

Santos se casou primeiro com a cineasta e apresentadora Silvia Amaya Londoño. O casamento terminou em divórcio três anos depois, sem filhos.[102][103] Em 1987, casou-se com a desenhista industrial María Clemencia Rodríguez, chamada de "Tutina", que conheceu quando ela trabalhava como secretária particular no Ministério das Comunicações e ele era vice-diretor do El Tiempo. O casal teve Martín, nascido em 1989, María Antonia, em 1991, e Esteban, em 1993.[103][104][105]

Prêmios e condecorações

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Santos em 2010.

O Comitê Nobel concedeu a Santos o Nobel da Paz de 2016 por seus esforços para encerrar a guerra civil colombiana. Na justificativa, destacou a duração de mais de cinquenta anos do conflito, as pelo menos 220 mil mortes e o deslocamento de quase seis milhões de pessoas.[106][3]

Santos recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Nova de Lisboa em 13 de novembro de 2017. A cerimônia prevista para junho havia sido cancelada devido ao luto nacional pelas vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande.[107][108][109] Naquele dia, recebeu o Grande-Colar da Ordem da Liberdade de Portugal, e sua esposa, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 14 de novembro de 2012, Santos já havia recebido o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique e María Clemencia, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.[110][111]

Condecorações estrangeiras

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Condecoração País ou casa dinástica Data
Ordem da Águia Asteca México 1 de agosto de 2011[112]
Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique Portugal 14 de novembro de 2012[113][110]
Cavaleiro de Grã-Cruz, classe especial, da Sagrada Ordem Militar Constantiniana de São Jorge Casa Real das Duas Sicílias 7 de junho de 2013[114]
Grã-Cruz com Estrela de Ouro da Ordem de Francisco Morazán Honduras 28 de janeiro de 2014[115]
Colar da Ordem de Isabel a Católica Espanha 28 de fevereiro de 2015[116]
Medalha do Mérito Militar de Primeira Classe México 7 de maio de 2015[117]
Medalha do Mérito Naval de Primeira Classe México 7 de maio de 2015[117]
Grã-Cruz com Estrela de Ouro da Ordem Nacional Doutor José Matías Delgado El Salvador 2016[118]
Grande-Colar da Ordem Nacional do Mérito Paraguai 24 de abril de 2017[119]
Grande-Colar da Ordem da Liberdade Portugal 13 de novembro de 2017[110][111]

Prêmios internacionais

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  • Prêmio Rei da Espanha de Jornalismo.[120]
  • Lâmpada da Paz de São Francisco de Assis.[121]
  • Global Statesman Award, do Fórum Econômico Mundial.[122]
  • Prêmio Gernika de Paz e Reconciliação.[123]
  • Prêmio Shalom.[124]
  • Prêmio Fórum Nova Economia de 2016.[125]
  • Prêmio por uma Trajetória Dedicada à Paz, do Diálogo Interamericano.[126]
  • Homenagem da National Geographic Society pela proteção ambiental. Na concessão, a entidade elogiou a expansão das áreas protegidas e avaliou que Santos fizera mais nessa área que muitos governantes eleitos das Américas.[127]
  • Medalha Internacional Kew, pela proteção da biodiversidade colombiana.[128]
  • Great Negotiator Award de 2017, do Programa de Negociação da Faculdade de Direito de Harvard.[129]
  • Prêmio Internacional da Paz de Tipperary de 2017.[130]
  • Prêmio Chatham House de 2017.[131]

Outras homenagens

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A espécie vegetal Espeletia praesidentis, do nordeste colombiano, recebeu seu nome em homenagem ao trabalho de Santos pela paz.[132] A revista Time o incluiu na lista de cem pessoas mais influentes de 2017.[133]

Obras publicadas

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  • Juan Manuel Santos Calderón (1994). Colombia Sin Fronteras: Para Un Nuevo Futuro. Bogotá: Ministério do Comércio Exterior da Colômbia. OCLC 34283634 
  • Juan Manuel Santos Calderón (1994). El Nuevo Camino al Progreso. Bogotá: Ministério do Comércio Exterior da Colômbia. OCLC 253690673 
  • Juan Manuel Santos Calderón; Rudolf Hommes Rodríguez; et al. (1994). Prácticas Comerciales y Perspectivas Macroeconómicas. Bogotá: Cladei. ISBN 9789589394007. OCLC 318185414 
  • Juan Manuel Santos Calderón; Tony Blair (1999). La Tercera Vía: Una Alternativa Para Colombia. Bogotá: Aguilar. ISBN 9789588061313. OCLC 318268059 
  • Juan Manuel Santos Calderón; Alberto Carrasquilla Barrera (2000). Memorias de Hacienda. Bogotá: Ministério da Fazenda e do Crédito Público da Colômbia. OCLC 318238583 
  • Juan Manuel Santos Calderón (2009). Jaque al Terror: Los Años Horribles de las FARC 2.ª, ilustrada ed. Bogotá: Planeta. ISBN 9789584223029. OCLC 605944076 

Desempenho eleitoral

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Resultados dos turnos presidenciais de 2010 e 2014
Ano Eleição Partido Cargo Votos Posição Resultado Ref.
2010 Presidencial, primeiro turno Partido Social de Unidade Nacional Presidente da Colômbia 6.802.043 1.º Segundo turno [134]
2010 Presidencial, segundo turno Partido Social de Unidade Nacional Presidente da Colômbia 9.028.943 1.º Eleito [134]
2014 Presidencial, primeiro turno Partido Social de Unidade Nacional, pela Coalizão Unidade Nacional Presidente da Colômbia 3.310.794 2.º Segundo turno [134]
2014 Presidencial, segundo turno Partido Social de Unidade Nacional, pela Coalizão Unidade Nacional Presidente da Colômbia 7.839.342 1.º Reeleito [134]

Ver também

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Notas

  1. ↑ A posse ocorreu em 19 de julho de 2006. Santos anunciou sua renúncia em 18 de maio de 2009.[35][36]
  2. ↑ Os totais correspondem a períodos e levantamentos diferentes. O universo provisório do caso 03 da Justiça Especial para a Paz compreendeu 6.402 pessoas mortas entre 2002 e 2008 e apresentadas falsamente como baixas em combate.[48]
  3. ↑ Na convenção dos sobrenomes espanhóis, Santos é o sobrenome paterno e Calderón, o materno. A pronúncia em espanhol é /ˈxwam maˈnwel ˈsantos kaldeˈɾon/.

Referências

  1. ↑ Maite Rico (8 de março de 2008). «"No responderemos a la provocación de Chávez"». El País (em espanhol)
  2. ↑ «Juan Manuel Santos» (JSON) (em inglês). Fundação Nobel
  3. 1 2 3 «The Nobel Peace Prize 2016 - Press Release». Nobel Foundation. Consultado em 7 de outubro de 2016
  4. 1 2 nobelprize.org. «The Nobel Peace Prize for 2016». Consultado em 7 de outubro de 2016
  5. 1 2 «En Sus Puestos». El Tiempo (em espanhol). Bogotá. 18 de julho de 2000. ISSN 0121-9987. OCLC 28894254. Consultado em 28 de maio de 2014
  6. 1 2 «Juan Manuel Santos | Biography & Nobel Peace Prize». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 22 de dezembro de 2017
  7. 1 2 «Las cuentas de los falsos positivos» (em espanhol). Semana (Colômbia). 27 de janeiro de 2009. Consultado em 1 de fevereiro de 2009. Arquivado do original em 31 de janeiro de 2009
  8. 1 2 Unidad Editorial Internet. «Santos: 'Presidente Uribe, éste es su triunfo' | Colombia | elmundo.es». El Mundo. Espanha. Consultado em 26 de outubro de 2018
  9. 1 2 Vicky Dávila (1 de abril de 2018). El nobel (em espanhol). [S.l.]: Penguin Random House Grupo Editorial Colombia. ISBN 9789585650534
  10. 1 2 Estefanía Carvajal Restrepo. «Las peleas que divorciaron a Uribe y Santos». elcolombiano.com (em espanhol). Consultado em 26 de outubro de 2018
  11. 1 2 «Santos v Uribe». The Economist (em inglês). Consultado em 26 de outubro de 2018
  12. 1 2 «Colombia signs new peace deal with Farc». BBC News. 24 de novembro de 2016
  13. 1 2 3 «Colombia's congress approves historic peace deal with FARC rebels». The Washington Post. 30 de novembro de 2016
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