Instituto Internacional da Língua Portuguesa
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O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) é uma instituição da CPLP com sede na Praia, capital de Cabo Verde. Seus objetivos são, conforme os estatutos, "a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais".[1]
A sua criação foi proposta em 1989 pelo então Presidente da República do Brasil, José Sarney, durante a primeira cimeira daquela organização internacional, realizada em São Luís do Maranhão. No entanto, somente em 2002, por ocasião da VI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, em São Tomé e Príncipe, o Instituto foi finalmente criado. De 2010 a 2014 dirige o Instituto o linguista brasileiro Gilvan Müller de Oliveira.
Na gestão 2010-2012 o IILP concentrou-se no desenvolvimento das bases para a realização do Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa, documento oriundo da I. Conferência Internacional sobre o Futuro do Português no Sistema Mundial, realizada na capital brasileira em março e abril de 2010.
Na gestão 2012-2014 o Instituto concentra-se na elaboração do VOC - Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, instrumento previsto no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 e na elaboração do Portal do Professor de Português como Língua Estrangeira, que oferecerá materiais e recursos didáticos para docentes da língua em todo o mundo.
Direção Executiva
[editar | editar código]Ao longo da sua história o IILP contou com 8 diretores executivos, naturais de países lusófonos, membros da CPLP.[2]
- Mário Fonseca (Mário Alberto de Almeida Fonseca): 1999 - 2001
- Ondina Ferreira (Ondina Maria Duarte Fonseca Rodrigues Ferreira): 2001 - 2004
- Manuel Brito-Semedo (Manuel da Cruz Brito-Semedo): 2004 - 2006
- Amélia Mingas (Amélia Arlete Dias Rodrigues Mingas): 2006 - 2010
- Gilvan Oliveira (Gilvan Müller de Oliveira): 2010 - 2014
- Marisa Mendonça (Marisa Guião de Mendonça): 2014 - 2018
- Incanha Intumbo: 2018 - 2022
- João Neves (João Laurentino Costa Pinho Neves): 2022 - presente
Mário Fonseca, caboverdiano, foi o primeiro a exercer a direção executiva da IILP. Ele tinha como objetivo criar uma estrutura de funcionamento e trabalho para o IILP, apesar de enfrentar uma falta de recursos.[3]
Durante a direção executiva da Ondina Ferreira, caboverdiana, foi instalada a sede provisória do IILP e foi criada a Assembleia Geral do IILP, que vai ser renomeada como Conselho Científico. O mandato dela, como ela mesma afirmou, se caracterizou mais por uma gestão que consistia em estruturar a instituição, mais do que na realização e promoção das atividades da instituição.[3]
A direção executiva do Manuel Brito-Semedo, caboverdiano, estabeleceu a sede do IILP na Casa Cor-de-Rosa na cidade na Praia em Cabo Verde. Além disso, durante a X Reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros e Relações Exteriores (Luanda, 2005) IILP foi integrado como órgão adicional da CPLP. No entanto, nesse período a instituição enfrentou bastantes dificuldades financeiras.[3]
Nos anos 2006 - 2010, durante a direção da linguista angolana Amélia Mingas foi necessário encontrar uma política linguística comum do IILP para direcionar as ações da instituição. Nesse período, São Tomé e Príncipe ratificou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO90) e começou a implementar a nova ortografia. A partir do 2009, o acordo começou a ser aplicado no Brasil e em Portugal, prevendo assim uma fase de transição em que a anterior e posterior grafia tinham validade jurídica.[3] Em relação aos projetos que destacam nesse período, vale a pena mencionar: o primeiro Encontro Internacional realizado em Mindelo cuja temática foi A interpretação da Língua de/em Língua Portuguesa na CPLP w projeto A Hora do Conto, um projeto de edição da literatura oral dos países lusófonos que continha contos de Angola, do Brasil e de Portugal.
O quinto diretor executivo do IILP, entre 2010 e 2014, foi o linguista brasileiro, Gilvan Müller de Oliveira. A aprovação do novo diretor coincidiu com a aprovação do Plano de Ação de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projeção da Língua Portuguesa (PAB). Vale a pena mencionar os projetos que começaram a ser elaborados durante esse período, entre eles: o Portal de Professor de Língua Portuguesa (PPPLE) (que começou a ser desenvolvido em 2013, mas foi apresentado no ano 2016[4]), o Vocabulário Comum da Língua Portuguesa (VOC) (apresentado no ano 2012 e integrado formalmente no patrimônio da CPLP em 2014[5]), o lançamento da revista Platô e o lançamento do Blogue do IILP. Também, durante o mandato do professor foi realizada a II Conferência Internacional sobre o Futuro do Português no Sistema Mundial em Lisboa, entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro[3].
No período entre o ano 2014 e o ano 2018 a diretora do IILP foi a linguista Marisa Mendonça, de Moçambique. O seu mandato focou-se na continuação dos projetos desenvolvidos durante a diretoria de Gilvan Müller de Oliveira,[6] sobretudo o projeto do PPPLE e do VOC. Nesse período, também foi melhorada a estrutura da sede do IILP, a Casa Cor-de-Rosa.[3]
O sétimo diretor executivo da IILP foi Incanha Intumbo (2018 - 2022), linguista guineense. O mandato foi caraterizado pela continuação dos projetos desenvolvidos anteriormente. O que destaca, são as ações de formação de professores, realizadas, por exemplo, em Cabo Verde e na Guiné Bissau e, também projetos de bolsas fundadas pelo IILP.[7]
O diretor atual (2022 - 2026) do IILP é João Laurentino Costa Pinho Neves, linguista português. Os novos programas e projetos lançados pelo IILP durante o mandato dele foram, sobretudo: o Fundo de Apoio a Pequenos Projetos (FAPP), Programa de Apoio à Realização de Congressos e Seminários em língua portuguesa (PACOS) e o Programa de Residências Literárias[8]. No seu percurso, João Neves dedicou décadas à área das políticas públicas da promoção da língua portuguesa. Foi o primeiro na sua familia para conseguir o ensino superior (ele é Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade do Porto e Mestre em Relações Interculturais pela Universidade Aberta), trabalhou durante os seus estudos e quando terminou a trabalhar, começou a trabalhar numa escola. Após a especialização, começou a se interessar mais pela reflexão sobre o papel da língua portuguesa no mundo[9]. Ele foi leitor de Língua e Cultura Portuguesa na Universidade Pedagógica de Moçambique e na Universidade Católica de Moçambique em Nampula, Moçambique. Lá, em 1998, criou o primeiro Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões. Também, trabalhou em Lisboa como responsável do Centro Coordenador dos Centros de Língua Portuguesa do Camões. De 2003 a 2012 desempenhou o papel de Adido Cultural junto da Embaixada de Portugal na cidade da Praia (Cabo Verde) e, também, foi nomeado Diretor do Camões - Centro Cultural Português no mesmo período. Posteriormente, de 2012 a 2018 ele foi Diretor do IPOR (Instituto Português do Oriente) em Macau. João Neves também exerceu o cargo de Vogal do Conselho Diretivo do Camões em Lisboa (2018 - 2022)[10].
Projetos
[editar | editar código]A trajetória dos projetos do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) iniciou-se na sua fase de instalação, sob a direção executiva de Ondina Ferreira (2001–2004), quando as ações estiveram voltadas para a estruturação institucional. Nesse período, destacaram-se a criação da página provisória do Instituto na Internet, a realização do concurso para a escolha do logotipo oficial e a formatação inicial de projetos de política linguística, iniciativas que foram concluídas na fase de arranque organizacional.[11]
Na fase de consolidação, durante a gestão de Amélia Mingas (2006–2010), foram desenvolvidos projetos culturais e de registro linguístico. Entre eles, realizou-se em 2008 o Simpósio A Interpenetração da Língua e Culturas de/em Língua Portuguesa na CPLP, no Mindelo, com o objetivo de analisar como as culturas locais moldaram a língua portuguesa, cujas atas foram publicadas em 2010. No mesmo período, foi lançado o projeto A Hora do Conto, focado na recolha da literatura oral da CPLP para incentivar o uso do português por crianças em contextos multilíngues, resultando na publicação de coletâneas de adivinhas, provérbios e contos. Ambas as iniciativas foram concluídas com publicações. Por outro lado, o projeto As Línguas Vivas no Mundo da CPLP, que visava mapear as mais de 300 línguas coexistentes com o português e resgatar línguas ameaçadas de extinção, não chegou a ser executado na época, assim como a elaboração do Plano Estratégico do IILP 2010–2020, inviabilizada pela falta de repasse dos recursos previstos.[11]
A aprovação do Plano de Ação de Brasília (PAB) em 2010 marcou a entrada do IILP na sua fase de expansão, sob a direção de Gilvan Müller de Oliveira (2010–2014), dando origem aos seus principais projetos estruturantes e multilaterais. O Portal do Professor de Português Língua Estrangeira / Língua Não Materna (PPPLE), lançado em 2013, foi criado como uma plataforma digital para a partilha de recursos e Unidades Didáticas gratuitas, promovendo as variedades cultas urbanas dos países membros. Paralelamente, o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) foi concebido como uma base de dados lexical digital para operacionalizar o Acordo Ortográfico de 1990 (AO90), permitindo que países como Moçambique, Cabo Verde, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe desenvolvessem os seus próprios Vocabulários Ortográficos Nacionais (VONs) pela primeira vez. Esta fase contou ainda com a realização de quatro Colóquios Internacionais sobre os eixos estratégicos do PAB (Maputo, Praia, Guaramiranga e Luanda), que geraram cartas de recomendações, além do lançamento da revista científica digital Platô em 2012 e do Blogue do IILP em 2011.[11]
Ao contrário das iniciativas pontuais dos primeiros anos, os projetos estruturantes derivados do PAB continuaram em desenvolvimento ativo nos mandatos seguintes. Na gestão de Marisa Guião de Mendonça (2014–2018), o PPPLE e o VOC tiveram continuidade e expansão, incluindo a realização de cursos de capacitação de professores, o desenvolvimento de módulos específicos do PPPLE para os públicos sinófono, hispanofalante e crianças na diáspora, e a publicação de novas edições da revista Platô. Em seguida, Incanha Intumbo assumiu a direção em 2019, dando prosseguimento à gestão e manutenção desses mesmos projetos multilaterais em andamento.[11]
Na gestão atual foram criados os projetos Fundo de Apoio a Pequenos Projetos do IILP - 2026 (FAPP IILP), Programa de Apoio à Realização de Congressos e Seminários em língua portuguesa (PACOS) e o Programa de Residências Literárias. O FAPP-IILP é uma iniciativa do IILP que tem por objetivo central viabilizar o desenvolvimento de pequenas iniciativas por parte de organizações da sociedade civil, bem como de escolas do Ensino Básico e Secundário em Estados-Membros da CPLP, com impacto na promoção, na difusão e na circulação da língua portuguesa, em diferentes contextos e abordagens.[12] O PARCOS é uma ação do IILP dirigida à promoção e à circulação de ciência em língua portuguesa e sobre língua portuguesa no espaço da CPLP e de regiões onde a língua portuguesa é também língua oficial.[13] O Programa de Residências Literárias é uma decisão do IILP que tem por objetivos apoiar a circulação de escritores dos países e regiões de língua portuguesa e promover a criação em língua portuguesa, desse modo fomentando a interculturalidade no espaço da CPLP e um maior conhecimento das literaturas nacionais nos seus Estados-Membros e regiões de língua oficial portuguesa.[14]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Instituto Internacional da Língua Portuguesa (ed.). «O IILP». Consultado em 13 de abril de 2016. Cópia arquivada em 15 de junho de 2022
- ↑ «Direção Executiva». Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Consultado em 22 de outubro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 Muller de Oliveira, Gilvan (2019). «O INSTITUTO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA DA CPLP – ASPECTOS DA GESTÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICOLINGUÍSTICA ORIGINAL (THE INTERNATIONAL INSTITUTE OF THE PORTUGUESE LANGUAGE OF CPLP – ASPECTS OF THE MANAGEMENT OF AN ORIGINAL ORGANIZATION FOR LANGUAGE POLICIES)». Linha D'Água. 32 (2): 11-36. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2026 – via USP
- ↑ «IILP lança portal do professor com materiais para ensino e aprendizagem». Observátorio da Língua Portuguesa. 9 de setembro de 2016. Consultado em 23 de outubro de 2026
- ↑ Ferreira, José Pedro; Correia, Margarita; Almeida, Gladis de Barcellos (2017). «Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa.». Praia: Instituto Internacional da Língua Portuguesa / Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Consultado em 23 de outubro de 2026
- ↑ «Diretora Executiva do IILP fala sobre o AO e as prioridades no seu mandato». Instituto Internacional da Língua Portuguesa. 3 de outubro de 2014. Consultado em 23 de outubro de 2026
- ↑ Costa, Maria João (7 de maio de 2022). «Entrevista: Incanha Intumbo – Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa». Revista Comunidades Portuguesas. Consultado em 23 de outubro de 2026
- ↑ «MAIS PRÓXIMOS…». Instituto Internacional da Língua Portuguesa. 28 de março de 2024. Consultado em 23 de outubro de 2026
- ↑ «Entrevista com o Dr. João Neves - Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP)». Geopolíticas do Multilinguismo. 29 de outubro de 2026. Consultado em 4 de novembro de 2026
- ↑ «Entrevista | João Neves, Diretor do Instituto Internacional da Língua Portuguesa». Observatório da Língua Portuguesa. 14 de outubro de 2026. Consultado em 4 de novembro de 2026
- 1 2 3 4 Oliveira, Gilvan Muller de (2019). «O INSTITUTO INTERNACIONAL DA LÍNGUA PORTUGUESA DA CPLP – ASPECTOS DA GESTÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICOLINGUÍSTICA ORIGINAL». Linha D´Água. 32 (2): 11-36
- ↑ Instituto Internacional da Língua Portuguesa, IILP (14 de janeiro de 2026). «Apoio a pequenos projetos - FAPP». Instituto Internacional da Língua Portuguesa. Consultado em 26 de outubro 2026
- ↑ Observatório da Língua Portuguesa (13 de janeiro 2024). «Programa de Apoio a Congressos e Seminários – PARCOS». Consultado em 26 de outubro 2026
- ↑ Observatório da Língua Portuguesa (30 de abril 2025). «Programa de Residências Literárias do IILP». Consultado em 26 de outubro 2026