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IFixit

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
iFixit
Empresa privada
AtividadeComércio eletrônico
Fundação2003
Fundador(es)Kyle Wiens
Luke Soules
SedeSan Luis Obispo, Califórnia, Estados Unidos
Pessoas-chaveKyle Wiens (CEO)
Luke Soules (CXO)
Empregados125+ (2016)
ProdutosGuias de reparo, peças de reposição, ferramentas
ServiçosTreinamento de técnicos independentes; plataforma Dozuki
FaturamentoUS$ 21 milhões (2016)
Websiteifixit.com
iFixit.com
Tipo de sítioComunidade de reparo / Comércio eletrônico
Proprietário(s)iFixit
Fundador(es)Kyle Wiens
Luke Soules
GêneroGuias de reparo
CadastroOpcional
País de origem Estados Unidos
Idioma(s)Mais de 12
Usuários1,2 milhão (registrados)
Lançamento2003
Endereço eletrônicoifixit.com
LicençaCreative Commons BY-NC-SA

iFixit (em inglês, pronunciado eye-FIX-it) é uma empresa privada americana sediada em San Luis Obispo, Califórnia, que publica guias de reparo gratuitos no formato wiki para eletrônicos de consumo, eletrodomésticos, veículos e outros produtos, além de vender peças de reposição, ferramentas e acessórios.[1] Fundada em 2003 por Kyle Wiens e Luke Soules no dormitório da California Polytechnic State University (Cal Poly), em San Luis Obispo, a empresa nasceu da frustração dos fundadores ao não encontrarem manuais de reparo para um Apple iBook G3 danificado.[2]

A iFixit é considerada a maior comunidade de reparo online do mundo,[1] com mais de 100 000 guias gratuitos publicados para mais de 7 000 produtos e 94 milhões de usuários alcançados em 2016.[2] A empresa é uma das principais defensoras do movimento pelo direito ao reparo, que busca garantir aos consumidores o acesso a peças, ferramentas e informações para a manutenção e o conserto de seus próprios dispositivos eletrônicos.[2]

História

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Origem (2003)

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Em 2003, Kyle Wiens e Luke Soules eram calouros na California Polytechnic State University (Cal Poly), em San Luis Obispo, Califórnia, tendo ambos crescido no Oregon sem se conhecer antes de ingressar na universidade.[2] Wiens estudava ciência da computação; Soules, engenharia industrial. Os dois se tornaram amigos por compartilharem o interesse em tecnologia e o hábito de desmontar e consertar aparelhos.[2] Wiens, em particular, havia trabalhado durante o ensino médio em uma assistência técnica autorizada da Apple, ganhando 6,50 dólares por hora, e com as economias acumuladas ao longo desse período comprara seu próprio laptop — um Apple iBook G3, modelo popularmente apelidado em inglês de toilet seat Mac ("Mac assento de vaso sanitário") em referência ao seu design arredondado e colorido — por cerca de 850 dólares.[3]

Certo dia, Wiens deixou cair o iBook e danificou a porta de alimentação. Ele sabia que a Apple possuía um manual de reparo para o modelo, pois havia visto documentação técnica durante seu trabalho na assistência autorizada — mas a empresa utilizava direitos autorais para impedir a distribuição dessas instruções ao público, em parte como estratégia para direcionar os consumidores às assistências credenciadas e ao mercado de produtos novos.[4] Sem instruções disponíveis, Wiens e Soules desmontaram o iBook no próprio dormitório da universidade — quebrando algumas travas e perdendo alguns parafusos no processo —, mas conseguiram efetuar o conserto.[5]

A experiência revelou ao mesmo tempo a viabilidade técnica do reparo e a barreira concreta imposta pela ausência de documentação acessível. A frustração de perceber que o processo poderia ter sido muito mais simples com um manual adequado levou os dois a uma decisão: se os fabricantes não forneceriam as instruções, eles mesmos as criariam.[5] A partir daí, Wiens e Soules começaram a adquirir laptops danificados em leilões no eBay para retirar peças funcionais e revendê-las online, suprindo a demanda por componentes caros e de difícil acesso.[6] Em paralelo, elaboraram e publicaram gratuitamente guias de reparo passo a passo para os aparelhos que consertavam, começando por seis modelos de laptops Apple.[4] Assim nasceu a iFixit, estruturada em torno de um modelo simples: oferecer o conhecimento gratuitamente e sustentar a operação com a venda de peças e ferramentas.[2]

Crescimento

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A empresa cresceu de forma orgânica ao longo da primeira década, sem recorrer a capital de risco externo — decisão que preservou aos fundadores pleno controle sobre a missão e a cultura organizacional.[2] A cobertura de guias foi progressivamente ampliada para além dos laptops Apple, passando a incluir smartphones, consoles de videogame, eletrodomésticos e uma vasta gama de outros produtos.[6] O modelo wiki adotado permite que membros da comunidade ao redor do mundo contribuam com guias e dicas de reparo; mais da metade dos guias publicados provém de colaboradores voluntários.[7]

Em 2011, Wiens percorreu comunidades em países africanos com uma equipe de documentário para conhecer técnicos que reparavam e reaproveitavam eletrônicos descartados pelo mundo desenvolvido, experiência que aprofundou sua visão sobre o impacto global da cultura do reparo.[8] Em 2016, a empresa contava com 125 funcionários, faturamento anual de 21 milhões de dólares e seus guias haviam sido acessados por 94 milhões de pessoas naquele ano.[2] Em 2022, a iFixit anunciou a abertura de um segundo centro de distribuição e escritório em Chattanooga, Tennessee, com previsão de geração de cerca de 200 empregos na região.[9]

Modelo de negócios

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Kit de ferramentas iFixit para reparo de smartphones

A iFixit disponibiliza todos os seus guias de reparo gratuitamente, sem necessidade de cadastro prévio e sem publicidade no conteúdo editorial.[2] Cerca de 90% da receita provém da venda de peças de reposição e ferramentas; o restante vem do licenciamento da plataforma Dozuki para empresas e do treinamento de técnicos independentes.[2] Em 2011, a empresa já havia formado mais de 15 000 técnicos que utilizavam os recursos da iFixit para gerir seus próprios negócios de reparo.[4]

As teardowns (desmontagens) são um dos pilares estratégicos da empresa. A equipe adquire novos produtos assim que são lançados no mercado, desmonta-os peça por peça, fotografa cada etapa e analisa os componentes internos.[2] As desmontagens atraem ampla cobertura da imprensa especializada e servem de vitrine para as peças e ferramentas vendidas pela empresa.[2] O lançamento anual do iPhone tornou-se o evento de desmontagem mais aguardado da comunidade iFixit, e a empresa realizou desmontagens de todos os principais headsets de realidade virtual comercializados desde o primeiro protótipo Oculus no Kickstarter.[3]

A plataforma opera em mais de 12 idiomas e conta com um programa voltado a oficinas independentes, o iFixit Pro, que oferece preços por atacado e acesso direto a peças originais.[7]

Pontuação de reparabilidade

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A iFixit desenvolveu um sistema de classificação da reparabilidade dos produtos eletrônicos, atribuindo a cada dispositivo analisado uma nota de 1 a 10 com base em critérios como facilidade de abertura, tipo de fixadores utilizados, disponibilidade de peças avulsas, acesso à documentação técnica e custo e complexidade dos reparos mais comuns.[7] Quanto menor a nota, mais difícil ou economicamente inviável é o reparo pelo próprio consumidor ou por uma oficina independente.

As pontuações são divulgadas anualmente, permitindo ao consumidor comparar marcas e modelos pelo critério da durabilidade e da manutenibilidade, e o sistema tornou-se referência para legisladores que buscam regulamentar o setor de reparos de eletrônicos em diferentes países.[7]

Em 2011, a iFixit lançou o Dozuki, uma plataforma de software como serviço que permite a empresas e organizações criar e publicar sua própria documentação técnica estruturada utilizando a infraestrutura desenvolvida pela iFixit.[10] As revistas Make e Craft, da editora O'Reilly Media, adotaram a plataforma para disponibilizar guias de projetos ao lado de instruções produzidas por suas equipes editoriais.[2]

Direito ao reparo

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A iFixit é uma das principais organizações defensoras do movimento pelo direito ao reparo, que defende o acesso de consumidores e oficinas independentes a peças, ferramentas, manuais e informações de diagnóstico de fabricantes de dispositivos eletrônicos.[2] Kyle Wiens testemunhou perante o Congresso dos Estados Unidos e a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (ITC) em defesa da regulamentação do setor.[11] A empresa também co-fundou a associação The Repair Association, que reúne empresas e ativistas favoráveis à aprovação de leis de direito ao reparo nos Estados Unidos, tendo Wiens exercido a presidência da organização.[12]

Em dezembro de 2022, Nova York tornou-se o primeiro estado americano a sancionar uma lei abrangente de direito ao reparo para dispositivos eletrônicos, o Digital Fair Repair Act.[11] Outros estados, como Califórnia e Colorado, seguiram com legislações similares nos anos seguintes.[12] Internacionalmente, a iFixit atua por meio de sua subsidiária iFixit GmbH, com sede em Stuttgart, Alemanha.[13]

Parcerias corporativas

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Fairphone

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Em 3 de abril de 2014, a iFixit anunciou parceria com a Fairphone, fabricante neerlandesa de smartphones projetados com foco em reparabilidade e responsabilidade socioambiental.[14] Com a parceria, guias de reparo e peças de reposição para produtos Fairphone passaram a estar disponíveis pelos canais de ambas as empresas.[14]

Samsung (2022–2024)

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Em março de 2022, a Samsung anunciou parceria com a iFixit para um programa de autoreparo que permitia aos consumidores adquirir peças originais e ferramentas para aparelhos da linha Galaxy.[15] A colaboração foi marcada por restrições impostas pela Samsung, como o limite de sete peças por oficina por trimestre e a exigência de adquirir baterias acompanhadas de telas mesmo quando apenas uma peça precisava ser substituída.[16] Em maio de 2024, a iFixit encerrou formalmente a colaboração, declarando que a Samsung "não parece interessada em viabilizar o reparo em escala".[16]

Em abril de 2022, a Google anunciou parceria com a iFixit para fornecer peças de reposição originais para a linha de smartphones Google Pixel, incluindo guias de reparo detalhados e ferramentas adequadas disponibilizados diretamente pelo canal da iFixit.[17] Diferentemente da parceria com a Samsung, a colaboração com a Google manteve-se ativa e foi progressivamente expandida para novos modelos da série Pixel.[7]

Microsoft e Xbox

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Em dezembro de 2024, a Microsoft e sua divisão Xbox firmaram parceria com a iFixit para disponibilizar guias de reparo e peças de reposição para os consoles Xbox Series X e Series S e para alguns modelos de dispositivos Microsoft Surface.[18]

Pandemia de COVID-19

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Durante a pandemia de COVID-19, a iFixit e a CALPIRG, braço californiano do Public Interest Research Group (PIRG), trabalharam em conjunto com hospitais e centros de pesquisa para reunir a maior base de dados conhecida de manuais e guias de manutenção de equipamentos médicos, disponibilizando-a gratuitamente para profissionais de saúde.[19] A iniciativa visava apoiar a manutenção de respiradores e outros equipamentos críticos num momento em que alguns fabricantes restringiam o acesso a informações de manutenção alegando proteção de propriedade industrial.[19]

Controvérsias

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Remoção do aplicativo pela Apple (2015)

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Em setembro de 2015, a Apple removeu o aplicativo iFixit da App Store após a empresa publicar a desmontagem de uma versão pré-lançamento do Apple TV de 4.ª geração obtida no âmbito do Programa de Desenvolvedores da Apple, violando o acordo de não divulgação assinado pelos fundadores.[20] A conta de desenvolvedor da empresa foi suspensa junto com a remoção. Em resposta, a iFixit declarou que investiria na melhoria do site para dispositivos móveis, de forma que os usuários pudessem acessar o conteúdo pelo próprio navegador.[20]

Kits de liberação de iPhone (2014)

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Em 2014, a iFixit distribuiu gratuitamente 15 000 kits de liberação criados especificamente para a abertura de iPhones, como parte de uma campanha em defesa do direito dos consumidores de acessar e reparar seus próprios dispositivos.[21]

Easter egg da Oculus (2019)

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Em abril de 2019, tornou-se público que controladores dos headsets de realidade virtual Oculus Quest e Oculus Rift S continham a inscrição física "Hi iFixit! We See You!" impressa nos componentes internos, indicando que parte da equipe da fabricante acompanhava as desmontagens realizadas pela iFixit e escolheu registrar esse reconhecimento de forma bem-humorada.[22]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 «About Us». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 Whitford, David (5 de abril de 2017). «Meet the $21 Million Company That Thinks a New iPhone Is a Total Waste of Money». Inc. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  3. 1 2 «Kyle Wiens, founder of iFixit». MachinePix Weekly. 8 de fevereiro de 2023. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  4. 1 2 3 «iFixit.com: Boldly Empowering Us to Repair Stuff Ourselves». New Dream. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  5. 1 2 «iFixit Celebrates 20 Years of Fixing the World». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  6. 1 2 «Where we are coming from». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  7. 1 2 3 4 5 «Find Your Fix: Tech Brands Are Embracing Right to Repair». Earth911. 14 de março de 2026. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  8. ↑ Wiens, Kyle (7 de outubro de 2011). «Why Fixers Will Save Our Planet». The Atlantic. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  9. ↑ «iFixit to open East Coast hub in Chattanooga, bringing 200 jobs». WRCB. 19 de julho de 2022. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  10. ↑ Foresman, Chris (18 de agosto de 2011). «Dozuki will drag service manuals kicking, screaming into 21st century». Ars Technica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  11. 1 2 «Kyle Wiens Biography» (PDF). United States House of Representatives. 18 de julho de 2023. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  12. 1 2 «You Fix It With iFixit». Bluedot Living. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  13. ↑ «iFixit in Europe». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  14. 1 2 «iFixit and Fairphone – Fixing The Cell Phone Problem». iFixit. 3 de abril de 2014. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  15. ↑ Amadeo, Ron (3 de agosto de 2022). «Samsung and iFixit launch repair program for flagship phones and tablets». Ars Technica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  16. 1 2 Hollister, Sean (23 de maio de 2024). «iFixit is breaking up with Samsung». The Verge. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  17. ↑ Amadeo, Ron (30 de junho de 2022). «iFixit and Google launch official Pixel parts store». Ars Technica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  18. ↑ «iFixit Is Now Selling Official Xbox Parts!». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  19. 1 2 Goode, Lauren (19 de maio de 2020). «Right-to-Repair Groups Fire Shots at Medical Device Manufacturers». Wired. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  20. 1 2 Brown, Bob (30 de setembro de 2015). «Apple gives iFixit app the boot». Network World. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  21. ↑ «We Just Gave Away 15,000 Liberation Kits». iFixit. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  22. ↑ Robertson, Adi (12 de abril de 2019). «Oculus says 'tens of thousands' of its new controllers include secret messages». The Verge. Consultado em 17 de janeiro de 2026

Ligações externas

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