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Haakon VII da Noruega

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Haakon VII
Rei da Noruega
Reinado18 de novembro de 1905
a 21 de setembro de 1957
Coroação22 de junho de 1906
PredecessorÓscar II
SucessorOlavo V
RegenteOlavo (1 de julho de 1955
a 21 de setembro de 1957
)
Dados pessoais
Nascimento3 de agosto de 1872
Palácio de Charlottenlund,
Copenhaga, Dinamarca
Morte21 de setembro de 1957 (85 anos)
Palácio Real de Oslo,
Oslo, Noruega
Sepultamento1 de outubro de 1957
Fortaleza de Akershus,
Oslo, Noruega
Nome completo
Dinamarquês e Norueguês: Christian Frederik Carl Georg Valdemar Axel
Português: Cristiano Frederico Carlos Jorge Valdemar Abssalão
EsposaMaud de Gales
Descendência
Olavo V da Noruega
CasaGlücksburgo
PaiFrederico VIII da Dinamarca
MãeLuísa da Suécia
ReligiãoLuteranismo
Brasão

Haakon VII, nascido Cristiano Frederico Carlos Jorge Valdemar Abssalão; (Charlottenlund, 3 de agosto de 1872 – Oslo, 21 de setembro de 1957) foi o rei da Noruega desde de sua eleição, em 18 de novembro de 1905 até a data de sua morte, sendo o primeiro monarca após a Dissolução da União Pessoal com a Suécia.[1]

Como um dos poucos monarcas eleitos, Haakon rapidamente ganhou o respeito e afeição do povo e teve papel importante ao unir os noruegueses em resistência a invasão nazista e a subsequente ocupação de cinco anos na Segunda Guerra Mundial.[1]

Na Noruega, é considerado como um dos maiores noruegueses do século XX, particularmente reverenciado por sua coragem durante a invasão alemã, ameaçando abdicar caso o governo cooperasse com os invasores, e por sua liderança e preservação da unidade do país durante o conflito.

Viveu até os 85 anos, reinando por quase 52 anos, sendo sucedido por seu filho Olavo V.

Biografia

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Primeiros anos

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Príncipe Carlos da Dinamarca em 1883.

O príncipe Carlos nasceu em Charlottenlund, em Copenhague. Ele era o segundo filho do príncipe Frederico (futuro Frederico VIII),[1][2] o filho mais velho de Cristiano IX da Dinamarca, e de sua esposa, a princesa Luísa da Suécia, a única filha do rei Carlos XV da Suécia.[2] Carl tornou-se rei da Noruega pessoalmente antes de seu pai e de seu irmão mais velho, o futuro Cristiano X.[3][4]

O príncipe Carlos pertencia à divisão de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo da Casa de Oldemburgo, à qual a família real dinamarquesa pertence desde 1448. A Casa de Oldemburgo reinou a Noruega quando ela fazia parte do reino da Dinamarca-Noruega, entre 1536 e 1814.[3][4]

A Casa era originalmente do norte da Alemanha, onde Glucksburg (Lyksborg) tinha seu pequeno feudo. A família tinha ligações permanentes com a Noruega desde o começo da Idade Média, e muitos dos ancestrais de Carlos (do lado paterno) tinham sido reis da Noruega independente (Haakon V da Noruega, Cristiano I da Noruega, Frederico I, Cristiano I, Frederico II, Cristiano IV, bem como Frederico III da Noruega, que incorporou a Noruega dentro do reino dinamarquês, de Schleswig e de Holstein — depois dessa incorporação, ela não era independente até 1814). Cristiano Frederico, que foi rei da Noruega brevemente em 1814, era seu tio-bisavô. Depois de 1814, a Noruega e a Suécia formaram uma união pessoal, e o rei da Noruega passou a ser Carlos XIII da Suécia (Carlos II da Noruega).[3][5]

O jovem príncipe foi batizado no Palácio de Charlottenlund em 7 de setembro de 1872 pelo Bispo da Zelândia, Hans Lassen Martensen. Ele foi batizado com os nomes de Christian Frederik Carl Georg Valdemar Axel e era conhecido como Príncipe Carl (em homenagem ao seu avô materno, o Rei da Suécia-Noruega, que morreu apenas 11 dias após o seu batismo).[6]

Foram seus padrinhos Cristiano IX da Dinamarca (seu avô paterno), Luísa de Hesse-Cassel (sua avó paterna, que o segurou no colo durante a cerimônia), Carlos XV da Suécia e Noruega (seu avô materno), Carolina Amália de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo (Rainha Viúva da Dinamarca, segunda esposa do rei Cristiano VIII), princesa Carolina da Dinamarca (filha do rei Frederico VI), Alexandra da Dinamarca (sua tia paterna, então Princesa de Gales e futura rainha do Reino Unido), Dagmar da Dinamarca (sua tia paterna), Frederico Guilherme de Meclemburgo-Strelitz, Jorge, Duque de Cambridge, Frederico, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e Jorge de Hesse-Cassel.[6]

Tal como os seus irmãos, o príncipe Carlos recebeu uma educação cristã rigorosa, num ambiente de frugalidade, diligência, regularidade, dever e ordem, focando no aprendizado de história, línguas estrangeiras e instrução militar. Como um filho homem mais novo, Carlos não cresceu com a expectativa direta ou a pressão de herdar uma coroa. Isso permitiu que ele tivesse uma criação e educação ligeiramente mais flexíveis do que a de seu irmão mais velho, Cristiano. Os tutores particulares proporcionaram-lhe a formação necessária.[3]

O jovem príncipe tinha como objetivo tornar-se oficial da Marinha desde a sua confirmação e, aos 17 anos, passou no exame de admissão para a Escola de Oficiais da Marinha. A disciplina era rigorosa e Carlos não gozava de privilégios como aluno, exceto por eventuais licenças para comparecer a eventos da família real. Obteve resultados escolares bastante fracos. No entanto, adaptou-se bem à vida de marinheiro. Formou-se na Academia Naval Real Dinamarquesa em 1893, foi nomeado segundo tenente e, no ano seguinte, primeiro tenente da Marinha Dinamarquesa. Como cadete e tenente, participou de diversas expedições a outros países, tanto dentro como fora da Europa.[3]

Casamento e descendência

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Haakon VII com sua esposa Maud e o filho Olavo em 1910.

Em 22 de julho de 1896, o príncipe Carlos desposou sua prima-irmã, a princesa Maud de Gales, a terceira e última filha do Príncipe de Gales e neta da rainha Vitória. A mãe de Maud, a Princesa de Gales, era sua tia paterna.[3][7] O único filho do príncipe Carlos e da princesa Maud, o príncipe Alexandre, nascido em 2 de julho de 1903, assumiu o trono norueguês com o nome de Olavo V e é avô do atual monarca, Haakon VIII.

Ascensão ao trono

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Depois que a União entre Suécia e Noruega foi dissolvida em 1905, um comitê do governo norueguês selecionou muitos membros da realeza européia como candidatos para o cargo de primeiro rei da Noruega em muitos séculos. Gradualmente, o príncipe Carl tornou-se o principal candidato. Ele tinha um filho (e portanto um herdeiro), e sua esposa, a princesa Maud, tinha laços com a família real britânica, que foram vistos como uma vantagem para a nova e independente nação.[3][8]

Idealista democrático, Carlos, ciente de que a Noruega ainda estava debatendo se continuaria com a monarquia ou se aderiria ao sistema de governo republicano, estava lisonjeado com a oferta do governo norueguês, mas não a aceitaria sem que um plebiscito mostrasse que a monarquia era verdadeiramente a escolha do povo da Noruega.[3]

A coroação de Maud e Haakon VII da Noruega

Depois que um referendo esmagadoramente confirmou que 79% dos noruegueses desejavam manter a monarquia, foi oferecido formalmente ao príncipe Carlos o trono pelo Storting (parlamento) em 18 de novembro de 1905. Quando Carlos a aceitou naquela noite, com a aprovação de seu avô Cristiano IX, ele adotou o nome Haakon VII e deu ao seu filho Alexandre o nome de Olavo. Os nomes estavam associados às primeiras famílias reais norueguesas e ao período de independência na Alta Idade Média.[9] Fazendo isso, sucedeu seu tio-avô Oscar II da Suécia, que abdicou em outubro daquele ano após um acordo entre Suécia e Noruega com os termos da separação da união. Quando o rei Haakon recebeu a delegação parlamentar em sua primeira audiência, declarou que adotaria o lema "Tudo pela Noruega". A coroação de Haakon ocorreu na Catedral de Nidaros, em Trondheim, no dia 22 de junho de 1906.[3][7]

Haakon VII arranjou como esposa para seu filho e herdeiro a filha de sua irmã, a princesa Marta da Suécia.

Residência e estilo de vida

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A Família Real recebeu o Palácio Real de Bygdøy e Oscarshall quando chegou à Noruega. O Palácio Real havia sido pouco utilizado pelos reis sueco-noruegueses, que residiam principalmente em Estocolmo e faziam apenas breves visitas à capital norueguesa.[10] Encontrava-se em mau estado de conservação e teve de ser reconstruído antes que a Família Real pudesse lá se instalar em abril de 1907. Foram angariados fundos para um presente de coroação e, após um concurso de arquitetura, o Palácio Real foi construído em Voksenkollen e oferecido à Família Real em 1910. Mais tarde, a villa Gamlehaugen, do primeiro-ministro Christian Michelsen, em Bergen, a antiga residência da família Kielland, Ledaal, em Stavanger, e Stiftsgården, em Trondheim, também foram disponibilizadas como residências para a Família Real durante as suas estadias nessas cidades.[3]

Haakon VII praticando esqui, em 1923.

Comparado ao que outros reis tinham à sua disposição em termos de castelos e edifícios magníficos, isso era modesto. Ao mesmo tempo, o rei e o governo consideravam uma virtude que a nova monarquia agisse com frugalidade, estabelecesse uma corte pequena e, de modo geral, mantivesse as despesas o mais baixas possível. Era importante não alimentar o espírito republicano tornando o novo reino muito caro. Mas a frugalidade também era vista no contexto das tradições norueguesas, caracterizadas pelo fato de Copenhague, e não Kristiania, ter sido a capital do reino por vários séculos; pela Noruega, portanto, ter poucos edifícios públicos estatais; pelo país não ter tido uma monarquia própria com corte; e por ter sido historicamente pobre.[3]

Desde o início, Haakon procurou familiarizar-se com a realidade norueguesa, conversando com homens e mulheres de diferentes classes sociais e consultando diversas fontes. Sua pronúncia do dinamarquês era norueguesa, mas sempre transparecia sua origem dinamarquesa. Inexperiente como era, precisou ouvir muito Michelsen e Fridtjof Nansen no começo, mas gradualmente adquiriu a experiência necessária e pode agir com mais independência. Nansen, que desempenhou um papel importante durante a dissolução da união, tornou-se amigo da família real. Ele ajudou a apresentar o esqui como esporte nacional norueguês à família real. Fotografias e cartões-postais mostravam ao povo norueguês como a família real praticava esse esporte. Já em 1906, o rei esteve presente em Holmenkollen, dando início a uma tradição.[3]

Desde o início, o Rei Haakon VII desejava agir como um monarca constitucional e evitar se envolver diretamente com o governo. O poder político deveria residir no Storting (Parlamento) e no governo, mas o rei queria ser informado por seus ministros. Ele não se furtava a expressar sua opinião sobre qualquer assunto e podia defender uma posição específica perante os ministros. Ele queria que o governo tomasse suas decisões reais no gabinete, e não em reuniões prévias ao gabinete, como logo se tornaria costume. Contudo, ele sempre recuava se não conseguisse o apoio dos ministros e era muito cuidadoso para não ser considerado um beneficiário de nenhum partido político.[3]

As qualidades pessoais do rei e seu esforço consciente para se integrar à sociedade norueguesa e agir corretamente como um monarca constitucional causaram impacto e contribuíram muito para a consolidação da jovem monarquia. O crescente Partido Trabalhista sempre se opôs fundamentalmente à monarquia, e ainda havia tendências republicanas ou antimonárquicas na ala radical do Partido Liberal, mas isso não foi suficiente para abalar a monarquia. Após o referendo de 1905, a maioria dos republicanos aceitou a monarquia como a forma de governo estabelecida do país.[3]

Antes de mais nada, o monarca constitucional deveria ser um símbolo nacional e um ponto de convergência, e Haakon VII desempenhou todas as funções que isso exigia. Ele recebia visitantes constantemente, inaugurava exposições e congressos, participava de almoços e jantares, lançava pedras fundamentais e comparecia a eventos de diversos tipos. Isso ocupava a maior parte do tempo do rei diariamente. Através de viagens constantes, adquiriu um conhecimento profundo das diferentes partes do país. Sua sociabilidade informal lhe permitia entrar em contato facilmente com pessoas de todas as classes sociais.[3]

Primeira Guerra Mundial

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Haakon VII, Gustavo V da Suécia e Cristiano X da Dinamarca no Trekongemøtet, em 1914.

Para fortalecer a posição geopolítica da região durante a Primeira Guerra Mundial, Haakon VII promoveu a aproximação histórica entre as três monarquias nórdicas (Noruega, Suécia e Dinamarca). O marco dessa estratégia ocorreu em dezembro de 1914, no Encontro dos Três Reis (Trekongemøtet) em Malmö, na Suécia. Haakon VII se reuniu com o rei Gustavo V da Suécia e o rei Cristiano X da Dinamarca para consolidar um pacto de neutralidade conjunta, garantindo que nenhum dos países escandinavos entrasse na guerra ou fosse usado por potências estrangeiras.[11][12]

O Encontro dos Três Reis em Kristiania, em novembro de 1917, foi uma reunião subsequente à de Malmö. As negociações neste encontro foram mais diretas por parte da Noruega, visto que as potências da Tríplice Entente haviam restringido o comércio com os estados neutros. Este encontro resultou em um acordo sobre a manutenção da neutralidade, bem como sobre a cooperação para melhorar o comércio entre as nações nórdicas.[12]

Apesar da postura oficial neutra, a Noruega ficou conhecida informalmente como o "Aliado Neutro", pois o Reino Unido exerceu intensa pressão sobre o comércio e a marinha mercante norueguesa, estipulando bloqueios e exigindo o fornecimento de navios em troca de matérias-primas essenciais, como carvão. Haakon VII, casado com a rainha Maud (filha do rei Eduardo VII do Reino Unido), utilizou discretamente seus laços familiares e diplomáticos com o Reino Unido para mediar e atenuar essas crises econômicas e de abastecimento, preservando a soberania do país sob fortes restrições econômicas.[11]

Segunda Guerra Mundial

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Haakon VII e Olavo, príncipe herdeiro, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940.

A monarquia norueguesa permanecia firme quando a Segunda Guerra Mundial chegou à Noruega em 1940. Pouco restava das tendências republicanas de 1905, e na segunda metade da década de 1930 o Partido Trabalhista aceitou a monarquia como parte do sistema constitucional. O próprio rei contribuiu enormemente para essa consolidação. Ele levara a sério seu papel como monarca e aderira plenamente aos princípios que devem ser aplicados a um rei em uma democracia constitucional. Gradualmente, adquiriu grande conhecimento da sociedade e da política norueguesas, era consciencioso e interessado, conquistara o respeito e a simpatia daqueles que o conheciam e levava uma vida privada e familiar da qual o público tinha poucos motivos para reclamar. A Segunda Guerra Mundial fortaleceria ainda mais a monarquia e aumentaria consideravelmente a popularidade do rei. Mas, antes disso, a monarquia e a nação atravessaram uma profunda crise.[3]

O grupo de ataque alemão que ocuparia Oslo na manhã de 9 de abril de 1940 (a Operação Weserübung) tinha a missão de assegurar o rei e o governo para forçar a Noruega a render-se. Essa missão falhou, pois o grupo de ataque foi detido na Fortaleza de Oscarsborg, no fiorde de Oslo. Nas primeiras horas da manhã, o rei foi mantido informado sobre o andamento do ataque alemão. Ele não participou das deliberações do governo no Terraço Vitória e também não estava presente quando o enviado alemão Curt Bräuer entregou o ultimato de rendição alemão.[13][14]

Mas às 5 horas, o primeiro-ministro Johan Nygaardsvold telefonou e disse que o governo havia rejeitado o ultimato e decidido mobilizar as tropas. O rei apoiou a proposta do presidente do Storting, C.J. Hambro, de que as autoridades governamentais se deslocassem para Hamar para não caírem nas mãos dos militares alemães. Toda a família real embarcou no trem extra que, às 7h30 da manhã, levou o governo e a maioria dos representantes do Storting da Estação Ferroviária Oriental para Hamar.[3]

Devido às condições inseguras, a esposa de Olavo, a princesa herdeira Märtha e os filhos partiram para a Suécia naquela mesma noite. Lá, hospedaram-se como convidados da família real sueca, enquanto Haakon VII e o príncipe herdeiro Olavo passaram as semanas seguintes juntos. Os dois sempre foram muito próximos, e as experiências de guerra que compartilharam os uniriam ainda mais.[3]

Em Hamar, o rei instalou-se na fazenda Sælid, em Vang, mas passou a maior parte do tempo em uma série de reuniões sobre a situação política e militar durante e entre as duas sessões parlamentares realizadas em Hamar. Havia grande incerteza sobre se a linha de resistência adotada pelo governo pela manhã deveria ser mantida. O rei estava entre os que se opunham às negociações com os alemães. Após a primeira sessão parlamentar em Hamar, realizou-se uma reunião de gabinete, na qual o governo renunciou para dar lugar a um governo de coalizão. Durante as consultas em que o rei participou, ficou acordado que uma crise ministerial deveria ser evitada e que, portanto, o governo deveria permanecer no poder.[3]

O rei Haakon VII tornou-se alvo de intensa pressão política alemã quando o enviado Curt Bräuer exigiu, em Elverum, que o governo norueguês renunciasse e que Vidkun Quisling fosse nomeado primeiro-ministro. O rei recusou-se a aceitar a proposta, afirmando que não poderia apoiar um governo sem legitimidade constitucional e declarando ao gabinete que preferia abdicar a nomear Quisling. Essa posição reforçou a decisão do governo de continuar resistindo à invasão alemã e deu origem ao célebre episódio conhecido como um dos “nãos do rei”. Posteriormente, tanto os alemães quanto Quisling tentaram provocar uma ruptura entre o rei e o governo, propondo seu retorno a Oslo sob um acordo semelhante ao adotado pela Dinamarca ocupada, mas o monarca rejeitou qualquer arranjo que não respeitasse os princípios constitucionais.[3][15]

Diante desse fracasso político, os alemães passaram a tentar eliminar fisicamente o rei e o governo, realizando em 11 de abril um ataque aéreo contra Nybergsund que não alcançou seu objetivo, mas marcou o início de uma série de bombardeios que impuseram grande desgaste físico e psicológico às autoridades norueguesas, obrigadas a viver sob constante ameaça durante a fuga e a resistência.[3]

O 70º aniversário do Rei Håkon foi celebrado por noruegueses em todo o mundo. Em Londres, foi organizada uma procissão folclórica seguida de uma reunião festiva no Royal Albert Hall. O Rei e o Príncipe Herdeiro posaram no palanque real em Hyde Park.

Os alemães realizaram então seu terceiro avanço militar contra o rei e o governo, desta vez com o objetivo de aniquilá-los. Na tarde de 11 de abril, aviões alemães lançaram um ataque mortal contra o rei e o governo em Nybergsund, mas sem sucesso. Foi o início de uma série de bombardeios semelhantes nas semanas seguintes. Isso representou não apenas um enorme desgaste físico, mas também psicológico, pois o rei e o governo traziam consigo a insegurança. As pessoas tinham que esperar ataques alemães onde quer que estivessem, e o rei e os ministros perceberam que nem sempre eram bem-vindos em seus respectivos lugares.[3]

Após o ataque aéreo em Nybergsund, o rei Haakon VII e o governo norueguês deslocaram-se pelo interior da Noruega enquanto discutiam a possibilidade de buscar refúgio na Suécia, opção que acabou sendo rejeitada pela maioria por contrariar a política de resistência à invasão alemã. Depois de uma breve passagem pela fronteira sueca, o rei reencontrou o restante do governo em Otta, onde conclamou a população a manter o espírito de luta. Nas semanas seguintes, a família real e o governo enfrentaram deslocamentos constantes, bloqueios militares e intensos bombardeios, incluindo em Molde, antes de seguirem para o norte com apoio britânico.[3]

Instalados na região de Tromsø e Målselvdalen, acompanharam à distância os combates em Narvik, enquanto as autoridades locais administravam o norte do país. Quando os Aliados decidiram retirar-se da Noruega em junho de 1940, o rei e o governo concluíram que não poderiam continuar a luta sozinhos e aceitaram o convite britânico para estabelecer-se no Reino Unido, preservando um governo norueguês livre no exílio e prosseguindo a resistência ao lado dos Aliados durante os cinco anos seguintes.[3]

Durante a campanha da Noruega em 1940, o rei Haakon VII manteve-se fiel ao seu papel de monarca constitucional, apoiando o governo e a política de resistência à invasão alemã sem interferir diretamente nas decisões políticas. Sua serenidade, experiência militar e firmeza fizeram dele um símbolo de unidade nacional, embora tanto ele quanto o governo tenham sido enfraquecidos pelas derrotas militares, pelo exílio e pela associação aos Aliados em um momento em que estes pareciam estar perdendo a guerra.[3]

Após a ocupação do país, autoridades alemãs lideradas por Josef Terboven tentaram obter apoio para destituir o rei e o governo exilado em Londres e criar um novo regime colaboracionista, chegando a pressionar a presidência do Parlamento norueguês a solicitar a abdicação do monarca. Haakon VII recusou-se categoricamente a renunciar, posição reafirmada em uma carta pública que ficou conhecida como mais um dos seus “nãos”, enquanto o governo também rejeitou qualquer solução que comprometesse a legitimidade constitucional do Estado norueguês.[3]

Embora politicamente fragilizados naquele momento, a resistência do rei tornou-se um importante símbolo para a oposição à ocupação alemã e ajudou a consolidar a futura resistência interna. Em setembro de 1940, Terboven abandonou as tentativas de acordo político, declarou o rei e o governo depostos, proibiu os partidos políticos e intensificou o controle da Noruega ocupada, ao que o rei e o governo responderam prometendo continuar a luta até a libertação do país.[3]

O Rei e a Rainha na chegada a Oslo.

Durante os cinco anos de exílio na Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial, o rei Haakon VII consolidou-se como o principal símbolo da unidade e da resistência norueguesa. Inicialmente hospedado pela família real britânica, ele manteve intensa atividade pública e institucional, deslocando-se frequentemente a Londres para trabalhar com o governo norueguês no exílio, ao qual permaneceu leal como monarca constitucional, evitando interferir diretamente na política. Além de realizar audiências e receber noruegueses de diversas partes do mundo, visitava tropas, navios, escolas, hospitais e marinheiros, fortalecendo o moral nacional e os laços com os Aliados, especialmente com o Reino Unido.[3]

Sua dedicação, conhecimento dos acontecimentos e presença constante fizeram dele o principal ponto de referência para os noruegueses dentro e fora do país. Esse papel ficou particularmente evidente nas comemorações de seu 70º aniversário, em 3 de agosto de 1942, quando grandes eventos em Londres reuniram milhares de noruegueses em uma expressiva demonstração de unidade, solidariedade e resistência à ocupação alemã.[3][16]

O príncipe herdeiro Olavo, que havia sido nomeado Chefe da Defesa em 30 de junho de 1944 e efetivamente exercia essa função, foi o primeiro membro da família real a pisar em solo norueguês após a libertação, quando liderou a delegação governamental que chegou à Noruega vinda do Reino Unido em 13 de maio. O próprio rei foi recebido com enorme entusiasmo ao chegar a Oslo em 7 de junho, cinco anos após sua saída do país, data em que também foi instituída como feriado nacional.[17][18] Ele foi alvo da mesma homenagem em suas viagens posteriores pelo país, que se refletiu em um presente público em 1947: o navio real KS Norge.[3][19]

Últimos anos

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A família real norueguesa.

Em julho de 1955, apenas um mês antes de seu aniversário de 83 anos, o rei Haakon VII caiu em seu banheiro, quebrando seu fêmur e causando futuras complicações. Confinado numa cadeira de rodas, o rei logo ficou deprimido por sua impotência e começou a perder seu envolvimento habitual e interesse em eventos correntes. Com a perda de sua mobilidade e a deterioração de sua saúde no verão de 1957, o príncipe herdeiro Olavo começou a aparecer no lugar de seu pai em ocasiões cerimoniais, e seu papel aumentou em casos do Estado.[20] Com a morte de Haakon, a coroa passou para o príncipe que assumiu como Olavo V da Noruega.[3]

Haakon foi um dos mais importantes líderes noruegueses do período pré-guerra, tirando seu jovem e frágil país de condições de instabilidade política. Em 1927, ele disse, brincando, "Eu também sou rei dos comunistas".[21] Sua lealdade à democracia provou ser crucial para a situação política do país durante a Segunda Guerra Mundial.[3]

Títulos em ordem cronológica

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Real Monograma
  • 3 de agosto de 1872 – 18 de novembro de 1905: Sua Alteza Real Príncipe Carlos da Dinamarca
  • 18 de novembro de 1905 – 21 de setembro de 1957: Sua Majestade O Rei da Noruega

Curiosidade

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Ancestrais

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Referências

  1. 1 2 3 «Haakon VII | king of Norway». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 14 de agosto de 2019
  2. 1 2 Engelstoft, Povl (1935). «Haakon VII» (PDF). In: Engelstoft, Povl; Dahl, Svend. Dansk Biografisk Leksikon (em dinamarquês). 8 2. ed. Copenhagen: J.H. Schultz Forlag. 241 páginas. Consultado em 21 de abril de 2023. Cópia arquivada (PDF) em 8 de agosto de 2023
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 Ole Kristian Grimnes (Universitetet i Oslo); Knut Dørum (Universitetet i Agder) (2 de setembro de 2026). «Haakon 7.» (em norueguês). Store norske leksikon. Consultado em 4 de setembro de 2026
  4. 1 2 «Historie» (em norueguês). Casa Real da Noruega
  5. ↑ «Historical Overview» (em inglês). Schloss Glücksburg
  6. 1 2 «1872 – Christening of Haakon VII» (em inglês). Regal Events. Consultado em 9 de setembro de 2026
  7. 1 2 «The Queen Receives». Time. 18 de junho de 1923. Consultado em 17 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2008
  8. ↑ Berg, Roald (1995). Norge på egen hånd 1905–1920 (Norsk utenrikspolitikks historie, volume 2) (em norueguês). Oslo: Universitetsforlaget. p. 309. ISBN 8200223949
  9. ↑ English Heritage (2005). «Blue Plaque for King Haakon VII of Norway». English Heritage. Consultado em 12 de abril de 2008. Cópia arquivada em 13 de dezembro de 2009
  10. ↑ Dagre, Tor. «Royal residences in Norway»
  11. 1 2 Klick Educação (17 de agosto de 2015). «Haakon VII Rei da Noruega de 1905 a 1957». UOL. Consultado em 9 de setembro de 2026
  12. 1 2 Giverholt, Helge (21 de julho de 2014). «Trekongemøtet» (em norueguês). Store norske leksikon. Consultado em 9 de setembro de 2026
  13. ↑ Griberg, Sara (12 de novembro de 2014). «Trekongemødet i Malmø». altomhistorie.dk (em dinamarquês). Consultado em 2 de abril de 2017. Cópia arquivada em 3 de abril de 2017
  14. ↑ Wiberg, Jacob (2008). «Trekungamötet i Malmö 1914». Populär Historia (em sueco) (12). Consultado em 21 de abril de 2023. Cópia arquivada em 28 de julho de 2013
  15. ↑ Pedersen, Nate. «The State of Absaroka». southdakotamagazine.com. Consultado em 6 de novembro de 2022. Cópia arquivada em 6 de novembro de 2022
  16. ↑ «British Government News & Press Releases – 25 October 2005: Blue Plaque for King Haakon VII of Norway». Consultado em 8 de abril de 2013. Cópia arquivada em 3 de dezembro de 2013
  17. ↑ «Breivik, Quisling and the Norwegian spirit». CBC. Consultado em 13 de abril de 2021. Cópia arquivada em 11 de abril de 2021
  18. ↑ «First Out, First In». Time. 11 de junho de 1945. Consultado em 17 de janeiro de 2009. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2011
  19. ↑ «Drømmen om Norge». kongehuset.no. Consultado em 1 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 21 de fevereiro de 2020
  20. ↑ Jon Gunnar Arntzen. «Bygdøy kongsgård». Store norske leksikon. Consultado em 1 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 19 de junho de 2018
  21. ↑ «(Official site of the Norwegian Royal House, in Norwegian)». Consultado em 20 de janeiro de 2008. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2013
  22. ↑ «Amundsen's original South Pole Station». southpolestation.com. Consultado em 1 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 14 de dezembro de 2019
  23. ↑ «Haakon County South Dakota». genealogytrails.com. Consultado em 1 de novembro de 2019. Cópia arquivada em 17 de novembro de 2019

Bibliografia

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  • Bomann-Larsen, Tor (2004). Folket. Col: Haakon & Maud (em norueguês). 2. Oslo: J.W. Cappelens Forlag. ISBN 978-82-02-22526-1 
  • Bomann-Larsen, Tor (2006). Vintertronen. Col: Haakon & Maud (em norueguês). 3. Oslo: J.W. Cappelens Forlag. ISBN 978-82-02-24665-5 
  • Bomann-Larsen, Tor (2008). Makten. Col: Haakon & Maud (em norueguês). 4. Oslo: Cappelen Damm. ISBN 978-82-02-27355-2 
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  • Lerche, Anna; Mandal, Marcus (2003). A royal family : the story of Christian IX and his European descendants. Copenhagen: Aschehoug. ISBN 9788715109577 
  • Shirer, William L. (1956). The Challenge of Scandinavia. London: Robert Hale. OCLC 930493567 


Ligações externas

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Haakon VII da Norega
Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo
Ramo da Casa de Oldemburgo
3 de agosto de 1872 – 21 de setembro de 1957
Precedido por
Óscar II

Rei da Noruega
18 de novembro de 1905 – 21 de setembro de 1957
Sucedido por
Olavo V