O território do Kosovo declarou unilateralmente a independência da Sérvia a 17 de Fevereiro de 2008, sendo reconhecido pela ONU no dia seguinte, e alguns países europeus como França, Portugal e Alemanha. Mas o território ainda é reivindicado pela Sérvia e não foi reconhecido como independente por países como a Rússia e a Espanha. Mas desde o reconhecimento das Nações Unidas, o grupo “Flying for Kosovo”, criado em Fevereiro de 2009, não tem poupado tempo e já passou por 50 países (Malta, Suíça, Canadá, Cuba, EUA, entre outros) à procura de apoio político.
Até agora, 72 países, entre eles 10 africanos – Senegal, Burkina Faso, Libéria, Serra Leoa, Gâmbia, Malawi, Mauritânia, Somália, Ilhas Camores e Suazilândia – e 22 dos 27 da União Europeia já reconheceram a independência do território. Mas para chegar aos 192 países da ONU, James reconhece que a tarefa não vai ser fácil e que ainda vai ter de gastar muitas horas a voar no seu avião particular e dialogar com os Estados, mesmo que isso custe um “não” ou o “adiar” do reconhecimento do Kosovo independente.
“Iniciei esta missão para mostrar ao Mundo que o Kosovo existe e que como território independente poderá lançar as bases para o seu desenvolvimento”, explica James Berisha, que conversou com o asemanaonline para descrever a missão criada em 2009 para “fazer pressão sob várias formas nos países, para que esses reconhecem o território como independente”. E-mail, telefone, cartas, redes sociais, contactos pessoais, um site oficial são algumas dos meios usados pelo grupo “voador” formado por 20 estudantes universitários e personalidades de vários quadrantes da sociedade kosovar para sensibilizar os Estados.
“Com esta missão, passamos pelos Estados para os convencerem a reconhecer a nossa independência. Mas também aterramos nos países que já reconheceram a nossa independência para os agradecer por esse gesto nobre de parceiros e amigos”, continua a activista, adiantando: “Acredito nesta missão e também no que poderei fazer pelo meu país”.
E James está a fazer a sua parte. Entregou esta segunda-feira, 6, o dossier com as argumentações ao Director Nacional dos Assuntos Políticos e Cooperação, José Luís Rocha, para ver se Cabo Verde reconhece a independência do Kosovo. Por agora, partiu para a mesma missão na Gâmbia – com escala no Senegal - mas tenciona voltar mais tarde para obter mais detalhes sobre a sua causa.
Abordado por asemanaonline sobre este assunto que ainda divide muitos países, José Luís Rocha reconhece que já tem na sua posse o dossier e que esta não é a primeira vez que o nosso país é solicitado para reconhecer a independência do Kosovo. O responsável adianta que há essa pretensão do território ver reconhecida a sua independência, mas também há a questão da Sérvia que ainda o reivindica como parte integral. Por isso, salienta, a postura do nosso país passa por auscultar uns e outros, para ponderar uma posição. Mas, diz, é um assunto que será discutido no Conselho de Segurança da ONU. Por isso, “ainda não há consenso, aguardamos”.
Ricardino Pedro



CABO VERDE





















